Profissionalismo, o novo ingrediente
do doce
Há
dez meses os doces pelotenses estão ao alcance dos paulistanos na tradicional
Casa Santa Luzia, no bairro Jardins, que há 77 anos oferece, exclusivamente,
mercadorias de alto padrão. "Nossos doces estão junto a uma seleção
dos melhores produtos de todo o mundo, ao lado de vinhos importados
que chegam a custar R$ 11 mil a garrafa", orgulha-se Vítor Nunes, de
34 anos. O jovem empresário é dono da VN Doces Artesanais de Pelotas,
que hoje tem capacidade para produzir quatro mil unidades ao dia e tem
como cliente, além das principais confeitarias de Porto Alegre, a rede
Sonae Distribuição Brasil. O segredo do sucesso? "Investir em qualidade
e acreditar na nossa gente", aponta Nunes.
Para fazer
o negócio crescer, todo ano o empresário investe os lucros provenientes
da Feira Nacional do Doce (Fenadoce) - ele participa desde a 4ª edição
- em melhorias na área de produção, qualidade dos doces e treinamento
de pessoal.
INVESTIMENTO
A fim de
levar as delícias a outras partes do país, Nunes teve que fazer uma
série de adaptações. Experimentou levar os doces em caminhão, mas não
deu certo: os produtos chegavam ao local de destino quebrados. Teve
que comprar um veículo específico para transporte de produtos perecíveis
e embalagens apropriadas que obedeçam às normas da legislação. Somente
a parte de refrigeração da van, necessária para manter os produtos na
temperatura adequada (8ºC), custou R$ 10,8 mil.
DOM
"Na minha
opinião um dos maiores erros do empresariado pelotense é a falta de
valorização do maior dom do pessoal da nossa terra. Nossa gente é calorosa,
receptiva, gosta de agradar os visitantes. Os doceiros conseguem transmitir
este sentimento através dos doces, por isso dá certo", defende Nunes.
Com excelente
visão empresarial, Nunes conta que os lucros ainda são pouco significativos
mas, considerando a velocidade com que o negócio está expandindo e a
procura de mais empresas interessadas em vender seus doces, esta realidade
deve mudar em breve.
EMPREGOS
Além do
reconhecimento que tem alcançado em nível nacional, saber que está gerando
empregos é o que mais o satisfaz. Atualmente, a fábrica da VN, no Fragata,
dá trabalho a 13 pessoas e tem planos de aumentar o quadro com a abertura
de outra loja. "Estou com o prédio alugado há três meses. Ela só não
abriu ainda por causa da demora na liberação dos documentos", explica.
INCENTIVOS
Na opinião
de Nunes o mercado é suficientemente amplo para abarcar a produção de
muitos doceiros locais. Para que outros microempresários possam seguir
seus passos e crescer, no entanto, ele acredita que o incentivo financeiro
de entidades locais é imprescindível.
INÍCIO
A preocupação
com a qualidade dos produtos foi uma constante na história do doceiro.
Há 11 anos, ele e a mulher Oinice Correa começaram a fabricar panelinhas
de coco para reforçar a renda familiar e empenharam-se, durante um ano,
no aperfeiçoamento do doce. As receitas de origem portuguesa sofreram
modificações ao longo dos anos e, hoje, são mais de 50 variedades, com
destaque para o tradicional pastel de Santa Clara.
Fenadoce tornou-se a grande vitrine
A Fenadoce
foi a grande vitrine da VN. A confecção ao vivo de doces de confeitaria,
na edição passada, foi um dos pontos mais altos da festa, o ibope aumentou
ainda mais quando Luiz Inácio Lula da Silva compareceu e a VN criou
um doce em homenagem ao presidente.
A Feira
possibilitou muitos contatos e a abertura do canal de distribuição dos
doces a todo estado e a São Paulo. A Santa Luzia importa da VN atualmente
cerca de cinco mil doces por mês - os paulistanos pagam R$ 3,00 a unidade.
Mas para "abocanhar" esta significativa fatia do mercado, a qualidade
teve que acompanhar as exigências. A mercadoria vai de Porto Alegre
à capital paulista em avião, em embalagens próprias para o transporte
aéreo.
"Eles são
extremamente rigorosos, tudo tem que estar perfeito. Se a mercadoria
não estiver na temperatura adequada ou a aparência de alguns doces estiver
prejudicada eles reclamam. Se queremos manter nossos doces nas prateleiras
deles, temos que estar à altura", conta Nunes, sorridente. Sorri porque
o esforço é recompensado. Por exemplo, o site da loja (www.santaluzia.com.br)
conta com uma página exclusiva para os doces de Pelotas.
(Joice Lima) |