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Profissionalismo, o novo ingrediente do doce
(Diário Popular 16/05/2004)

          Há dez meses os doces pelotenses estão ao alcance dos paulistanos na tradicional Casa Santa Luzia, no bairro Jardins, que há 77 anos oferece, exclusivamente, mercadorias de alto padrão. "Nossos doces estão junto a uma seleção dos melhores produtos de todo o mundo, ao lado de vinhos importados que chegam a custar R$ 11 mil a garrafa", orgulha-se Vítor Nunes, de 34 anos. O jovem empresário é dono da VN Doces Artesanais de Pelotas, que hoje tem capacidade para produzir quatro mil unidades ao dia e tem como cliente, além das principais confeitarias de Porto Alegre, a rede Sonae Distribuição Brasil. O segredo do sucesso? "Investir em qualidade e acreditar na nossa gente", aponta Nunes.
          Para fazer o negócio crescer, todo ano o empresário investe os lucros provenientes da Feira Nacional do Doce (Fenadoce) - ele participa desde a 4ª edição - em melhorias na área de produção, qualidade dos doces e treinamento de pessoal.
INVESTIMENTO
          A fim de levar as delícias a outras partes do país, Nunes teve que fazer uma série de adaptações. Experimentou levar os doces em caminhão, mas não deu certo: os produtos chegavam ao local de destino quebrados. Teve que comprar um veículo específico para transporte de produtos perecíveis e embalagens apropriadas que obedeçam às normas da legislação. Somente a parte de refrigeração da van, necessária para manter os produtos na temperatura adequada (8ºC), custou R$ 10,8 mil.
DOM
          "Na minha opinião um dos maiores erros do empresariado pelotense é a falta de valorização do maior dom do pessoal da nossa terra. Nossa gente é calorosa, receptiva, gosta de agradar os visitantes. Os doceiros conseguem transmitir este sentimento através dos doces, por isso dá certo", defende Nunes.
          Com excelente visão empresarial, Nunes conta que os lucros ainda são pouco significativos mas, considerando a velocidade com que o negócio está expandindo e a procura de mais empresas interessadas em vender seus doces, esta realidade deve mudar em breve.
EMPREGOS
          Além do reconhecimento que tem alcançado em nível nacional, saber que está gerando empregos é o que mais o satisfaz. Atualmente, a fábrica da VN, no Fragata, dá trabalho a 13 pessoas e tem planos de aumentar o quadro com a abertura de outra loja. "Estou com o prédio alugado há três meses. Ela só não abriu ainda por causa da demora na liberação dos documentos", explica.
INCENTIVOS
          Na opinião de Nunes o mercado é suficientemente amplo para abarcar a produção de muitos doceiros locais. Para que outros microempresários possam seguir seus passos e crescer, no entanto, ele acredita que o incentivo financeiro de entidades locais é imprescindível.
INÍCIO
          A preocupação com a qualidade dos produtos foi uma constante na história do doceiro. Há 11 anos, ele e a mulher Oinice Correa começaram a fabricar panelinhas de coco para reforçar a renda familiar e empenharam-se, durante um ano, no aperfeiçoamento do doce. As receitas de origem portuguesa sofreram modificações ao longo dos anos e, hoje, são mais de 50 variedades, com destaque para o tradicional pastel de Santa Clara.
Fenadoce tornou-se a grande vitrine
          A Fenadoce foi a grande vitrine da VN. A confecção ao vivo de doces de confeitaria, na edição passada, foi um dos pontos mais altos da festa, o ibope aumentou ainda mais quando Luiz Inácio Lula da Silva compareceu e a VN criou um doce em homenagem ao presidente.
          A Feira possibilitou muitos contatos e a abertura do canal de distribuição dos doces a todo estado e a São Paulo. A Santa Luzia importa da VN atualmente cerca de cinco mil doces por mês - os paulistanos pagam R$ 3,00 a unidade. Mas para "abocanhar" esta significativa fatia do mercado, a qualidade teve que acompanhar as exigências. A mercadoria vai de Porto Alegre à capital paulista em avião, em embalagens próprias para o transporte aéreo.
          "Eles são extremamente rigorosos, tudo tem que estar perfeito. Se a mercadoria não estiver na temperatura adequada ou a aparência de alguns doces estiver prejudicada eles reclamam. Se queremos manter nossos doces nas prateleiras deles, temos que estar à altura", conta Nunes, sorridente. Sorri porque o esforço é recompensado. Por exemplo, o site da loja (www.santaluzia.com.br) conta com uma página exclusiva para os doces de Pelotas.

(Joice Lima)